domingo, 20 de abril de 2014

Tecido conjuntivo cartilaginoso - T.C.C



O tecido cartilaginoso existe no corpo sob forma de peças cartilaginosas de tamanhos muito variados. O tecido cartilaginoso não é irrigado por vasos sanguíneos e é uma das razões pelas quais as peças cartilaginosas tendem a ser pequenas em comprimento e quase sempre são delgadas. Desta maneira, são pequenas as distâncias que os nutrientes, metabólitos e gases devem percorrer para se difundir no interior da matriz cartilaginosa a partir dos vasos sanguíneos localizados no tecido conjuntivo propriamente dito que envolve a cartilagem, para atingirem os condrócitos que estão no interior da cartilagem.



Funções do tecido cartilaginoso:
Função estrutural
– oferecendo apoio e manutenção da forma de vários componentes do corpo. Ex: Na orelha, mantém aberto o conduto auditivo externo e no aparelho respiratório mantém aberto os dutos que servem de passagem de ar.
Função de revestimento – em uma superfície de articulação, de ambos os lados, as peças cartilaginosas por serem lisas, oferecem o deslizamento sem atrito com a outra superfície. Além da característica de serem lisas, há quase sempre líquido que contribui para o deslizamento adequado entre as superfícies cartilaginosas.
Função modeladora – durante a vida fetal, parte do sistema esquelético é formada por tecido cartilaginoso, que possuem a forma de futuros ossos e servem de molde para o desenvolvimento do tecido ósseo.

Quanto aos componentes da cartilagem:
Substância intercelular (matriz) – com fibras colágenas + elastina + condrina (substância mucopolissacarídica com consistência de borracha) +  preteoglicanas (proteína com glicosaminoglicanas) + ácido hialurônico + diversas glicoproteínas
Condroblastos – produz e secreta matéria intercelular, ou seja, secretam matriz ao seu redor após ficarem circundados por essa matriz, tornam-se condrócitos.
Condrócitos – atividade diminui após a formação da cartilagem
Condroblastos 


Quanto a matriz, ela pode ser:

Territorial – ao redor da lacuna de um condrócito
Interterritorial – a que se encontra entre o território de dois condrócitos distintos.

Classificações das cartilagens
Cartilagem hialina – é o tipo mais freqüente encontrado no corpo humano, formando o primeiro esqueleto do embrião que posteriormente é substituído por esqueleto ósseo.
No adulto é encontrado na parede das fossas nasais, traquéia e brônquios, na extremidade ventral das costelas e recobrindo as superfícies articulares dos ossos longos.
Sua matriz é formada por fibrilas de colágeno tipo II, proteoglicanas e ácido hialurônico.
A fresco, sua coloração é branca azulada e translúcida.

Todas as cartilagens hialinas, exceto as cartilagens articulares, são envolvidas por uma camada de tecido conjuntivo denso, denominada pericôndrio, que é responsável pela nutrição, oxigenação  e eliminação dos resíduos metabólicos.


Cartilagem elástica – é basicamente semelhante à cartilagem hialina porém inclui além das fibrilas de colágeno, uma abundante rede de fibras elásticas.
Pode estar presente isoladamente ou formar uma peça cartilaginosa junto com a hialina, são encontradas no pavilhão auditivo, na epiglote e na cartilagem da laringe.
É menos sujeita a processos degenerativos e também possui pericôndrio, e seu crescimento se dá por aposição.
A fresco, possui coloração amarelada.


 Cartilagem fibrosa – é um tecido com características intermediária entre o conjuntivo denso e a cartilagem hialina, sendo conhecida também por fibrocartilagem.
É constituída por colágeno tipo I e pode ser encontrada nos discos vertebrais, nos pontos em que alguns tendões e ligamentos se inserem nos ossos e na sínfise pubiana.

Há duas maneiras de crescimento das peças cartilaginosas:
- crescimento intersticial, que ocorre por divisão mitótica dos condrócitos.
- crescimento por aposição, que ocorre por diferenciação de células situadas na superfície das peças cartilaginosas que têm potencialidade para se desenvolver em condrócitos. Estas células, chamadas condroblastos, se comportam como células-tronco de cartilagem. Após a sua diferenciação estes novos condrócitos são adicionados à superfície da cartilagem, razão do nome crescimento por aposição.

sábado, 19 de abril de 2014

Tecido conjuntivo propriamente dito - parte 3



Tecido conjuntivo denso
É o tecido adaptado para oferecer resistência e proteção aos tecidos, menos flexível e mais resistente a trações.
Contém todos os elementos estruturais típicos mas, com predominância de fibras colágenas.
Esse tipo de tecido se divide em:

Tecido conjuntivo denso não modelado
Esse tecido contém feixes de fibras colágenas distribuídas de maneira difusa, ou seja, não ordenadas. Os feixes de fibras também estão entrelaçados, conferindo-lhes grande resistência e elasticidade. Caracteriza-se por ser um tecido resistente a trações exercidas em várias direções
Podendo ser encontrado na derme profunda da pele, em cápsulas envoltórias de diversos órgãos internos.



Tecido conjuntivo denso modelado
Nesse tecido os feixes de fibras colágenas estão organizados paralelamente entre si, dando-lhe enorme resistência e pouca elasticidade ao tecido. Caracteriza-se por ser resistente a trações exercidas numa só direção. O T.C.D. modelado forma os tendões, que unem os músculos aos ossos do esqueleto; e os ligamentos, que são feixes de fibras contendo fibras colágenas e elásticas que conectam um osso ao outro.



Tecido conjuntivo propriamente dito - parte 2

Tecido adiposo
O tecido adiposo faz parte do grupo de subtipos de tecidos conjuntivos reunidos sob a denominação de Tecido conjuntivo de propriedades especiais.
É constituído de células denominadas adipócitos, separadas entre si por pequena quantidade de matriz extracelular. Esta é constituída em grande parte por uma rede de delgadas fibras reticulares formadas principalmente por colágeno tipo III e pouco observáveis ao microscópio de luz com colorações rotineiras. Além dos adipócitos, são encontradas quantidades menores de outras células residentes e transientes do tecido conjuntivo.
Os adipócitos se caracterizam por acumular lipídios em seu citoplasma, sob forma de pequenas gotas suspensas no citosol. Estas gotas não são revestidas por membranas e são, portanto, consideradas inclusões.
O número e tamanho das gotas de lipídios nos adipócitos pode variar consideravelmente. Quando os adipócitos se desenvolvem acumulam lipídios e há numerosas pequenas gotas deste material no citoplasma.
  • No tecido adiposo unilocular estas gotas acabam se fundindo em uma grande gota que ocupa a maior parte do adipócito, deslocando o restante do citoplasma e o núcleo para a periferia da célula.
  • No tecido adiposo multilocular os adipócitos mantêm muitas pequenas gotas de lipídios no citoplasma e o núcleo ocupa diferentes posições na célula, seja no centro ou na periferia.


 


Os tecidos adiposos uni e multilocular têm grandes diferenças funcionais, além da diferente distribuição e tamanho das gotas de lipídios.

O tecido unilocular predomina muito em quantidade sobre o multilocular. Constitui o que se chama habitualmente de "gordura". Macroscopicamente sua cor é frequentemente amarela devido a pigmentos e vitaminas dissolvidos nos lipídios e por esta razão também é denominado de gordura amarela. É o principal reservatório de lipídios para serem usados como fonte de energia. É encontrado espalhado em quase todo o organismo e, além disso, concentra-se em algumas partes onde forma coxins de apoio (nas palmas das mãos, planta dos pés e nádegas), na cavidade abdominal (especialmente em estruturas denominadas epiplons e em torno de órgãos desta cavidade), nas camadas profundas da pele (camada subcutânea), na parte posterior dos globos oculares. Além de reservatório energético e servir como coxins de apoio o tecido adiposo unilocular serve para preenchimento de locais entre órgãos e sustentação de órgãos. Há diferenças sexuais na distribuição de tecido adiposo unilocular.

Na espécie humana o tecido multilocular é encontrado quase que somente em recém nascidos. É encontrado regularmente em espécies animais que hibernam. Sua localização é geralmente na região das cinturas pélvica e escapular (por exemplo em torno da laringe e traquéia e em torno da adrenal). Sua função conhecida é "reanimar" animais que estejam no fim da fase de hibernação, por meio do aquecimento do sangue que passa pelos numerosos capilares existentes neste tecido. Ao fim da hibernação os adipócitos deste subtipo de tecido adiposo recebem sinalização para metabolizar os lipídios e liberar energia térmica que é transmitida para o sangue, assim lentamente elevando a temperatura do resto do corpo. A coloração natural do tecido multilocular é mais escura e por esta razão também é denominado gordura parda ou marrom.
As mitocôndrias das células do tecido adiposo multilocular transformam a maior parte da energia dos lipídios em energia térmica, em vez de produzir ATP, comportamento portanto diferente do que acontece na maioria das outras células do organismo, inclusive das células adiposas do tecido unilocular.

Tecido conjuntivo propriamente dito - parte 1

Existem duas classes de T.C.P.D: Tecido conjuntivo frouxo e Tecido conjuntivo denso, nesse post veremos sobre o tecido conjuntivo frouxo.

Tecido conjuntivo frouxo

É um tecido muito comum que preenche espaços entre grupos de células musculares, suporta células epiteliais e forma camadas em torno dos vasos sanguíneos, responsável por suportar estruturas normalmente sujeitas à pressão e atritos pequenos.
Pode se encontrado nas papilas da derme, na hipoderme, nas membranas serosas que revestem as cavidades peritoneais, pleurais e nas glândulas, tem consistência delicada, flexível, não muito resistente a trações e bem vascularizada.
Contém todos os elementos estruturais típicos, sem predominância de qualquer dos componentes.
As células mais numerosas são macrófagos e fibroblastos.
Exemplo: Tecido adiposo, que será descrito no próximo post.



sexta-feira, 18 de abril de 2014

Tipos de fibras do tecido conjuntivo


Colágenas
Fibrilas longas de aspecto ondulado, que  são produzidas pelos fibroblastos.
São constituídas principalmente por colágeno I, sendo inelásticas e resistente à  tensão, não sofrendo anastomoses (
Rede ramificada de capilares, veias e artérias que se ligam.)
Apresentam cor esbranquiçada (a fresco) e são evidenciadas para microscopia com corantes ácidos. (Para entender sobre corantes, acessar: http://encantosdabiologia.blogspot.com.br/2014/04/laminas-permanentes-e-sua-preparacao.html)
Elásticas
Longos fios de uma proteína chamada elastina, são finas e onduladas.
Da elasticidade ao tecido conjuntivo frouxo e complementa resistência às fibras colágenas, pois apresenta durabilidade e resistência e fazem anastomoses.
Apresentam cor amarelada (a fresco) e são evidenciadas para microscopia pela orceína.
Reticular
É a variação de fibra colágena, constituída por colágeno tipo III, formando uma rede de sustentação para diversos órgãos, pois são ramificados, formando um trançado firme que liga o tecido conjuntivo aos tecidos vizinhos.
Na microscopia é evidenciada pelos sais de prata.
Substância fundamental ou amorfa
É um complexo viscoso altamente hidrofílico, como uma espécie de gelatina transparente e homogênea que envolve as células e fibras, fornecendo força tênsil e rigidez a matriz, atuando como lubrificante e como barreira à penetração de microorganismos invasores.
Constituída por glicosaminoglicanos, proteoglicanos e glicoproteínas.

Tipos de células do Tecido Conjuntivo




Fibroblastos

Sintetiza as proteínas colágenos e elastina, além das glicosaminoglicanas, proteoglicanas e glicopreoteínas que farão parte da matriz.
Estão envolvidas no crescimento e diferenciação celular, sendo as mais comuns no tecido, com capacidade metabólica variada onde células com intensa atividade de síntese são chamadas de fibroblastos e células metabolicamente quiescentes são chamadas de fibrócitos.
Com citoplasma abundante e com muitos prolongamentos, grande quantidade de reticulo endoplasmático rugoso (RER) e complexo de golgi bem desenvolvido, núcleo ovóide e grande.
Fibrócitos são menores, com aspecto fusiforme e poucos prolongamentos citoplasmáticos, núcleo menor e mais alongado, com pouca quantidade de RER.



Macrófagos
Célula muito ativa e de vida longa, com movimentação amebóide entre as fibras.
Atuam como elementos de defesa, fagocitando restos celulares, elementos anormais da matriz, bactérias, etc.
Derivam dos monócitos do sangue, onde ao penetrar no tecido conjuntivo amadurecem e adquirem as características morfológicas dos macrófagos.



Mastócitos
Célula globosa, grande e com citoplasma repleto de grânulos que se coram intensamente, com núcleo pequeno, esférico e central, de difícil observação devido a presença de grânulos.
Grânulos com alta concentração de histamina que colabora com reações imunes, com papel fundamental na inflamação, nas reações alérgicas e na expulsão de parasitas e grânulos com alta concentração de heparina que é uma substância anticoagulante.



Plasmócitos
São células grandes e ovóides, rica em RER, derivadas dos linfócitos B, por isso são responsáveis pela síntese de anticorpos.
São poucos numerosos no tecido conjuntivo normal, exceto nos locais sujeitos à penetração de bactérias e proteínas estranhas.
Os leucócitos são constituintes normais dos tecidos conjuntivos, vindos do sangue por migração através da parede de capilares e vênulas.


Células mesenquimatosas
As células mesenquimatosas se originam a partir do folheto embrionário – mesoderme; elas migram do lugar de origem e envolvem e penetram nos órgãos em desenvolvimento, originando qualquer tipo de célula.